sexta-feira, 1 de março de 2013

Seminário 8 de Março: Um chamado ao Feminismo


O Coletivo de Mulheres Rosas de Liberdade, em parceria com a União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém – UES, chama a sociedade santarena a participar do seu II Seminário, intitulado  8 de março: um chamado ao Feminismo  a realizar-se no dia 08 de março de 2013, às 14:00 horas, no Auditório Wilson Fonseca da Universidade Federal do Oeste do Pará, localizado na Av. Marechal Rondon.
O evento, a exemplo do que ocorreu no ano passado, será um espaço de organização, discussão e intercâmbio entre a sociedade em geral, bem como os estudantes universitários, estudantes secundaristas e pré-vestibulandos, profissionais da educação, entidades e militantes de movimentos sociais, para promover o debate sobre o feminismo e as questões de gênero, raça, sociedade, violência, saúde da mulher e mulher e mídia e dialogar com instituições e movimentos sociais acerca dos altos níveis de violência contra a Mulher no município de Santarém, visando à elaboração de propostas concretas de atuação conjunta entre esses diversos segmentos sociais de Santarém.
Por isso, desde já, contamos com sua presença para ajudar na construção de uma sociedade mais feminista e menos excludente.


Programação:
            DATA
HORÁRIO
ATIVIDADE




08/03/12
(sexta-feira)


            14h           
Credenciamento
14:30h
Mesa de abertura – Por que ainda ser Feminista?
15:30h
Oficinas:
* Mulher e mídia – Coletivo Feminista Rosas de Liberdade
* Violência de gênero – Coletivo Feminista Rosas de Liberdade
* Gênero e raça – Prof Carla e Coletivo Feminista Rosas de Liberdade
18:00h
Cultural: Mulheres cantam a Liberdade!
Para maiores informações entrar em contato com Francieli Sarturi (9111-7559), Luanna Silva (9154-4591).

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Manifesto do Coletivo de Mulheres Rosas de Liberdade pela não violência contra a mulher


Ao longo da história nós mulheres temos sofrido todo tipo de violência, pelo simples fato de sermos mulheres. A violência contra a mulher é toda e qualquer atitude baseada no gênero, que cause ou é passível de causar morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher. Esse tipo de violência é produto de uma construção histórica, que coloca a mulher como um ser inferior ao homem, que deve submeter-se a vontade e aprovação dele.
O dia 25 de novembro é marcado internacionalmente pelo Combate a Violência contra a Mulher, mas apesar dos avanços nas políticas de proteção, como a Lei Maria da Penha, os casos de violência continuam muito frequentes em nosso país.

Estima-se que uma em cada cinco mulheres já tenha sofrido algum tipo de violência por parte de um homem. Estatísticas mostram que a cada 15 segundos, uma mulher é espancada no Brasil, o que representa cerca de 2 milhões de mulheres por ano. O mapa da violência no Brasil/2010 nos revela que 41.532 mulheres foram assassinadas no país, entre os anos de 1997 e 2007 um índice de 4,2 vítimas para cada 100 mil habitantes. De cada 100 mulheres que sofrem violência, 70 delas têm como autores maridos, ex-maridos e namorados ou alguém do convívio familiar. Essa violência atinge todas as mulheres, de todas as etnias e classes sociais, mas é mais grave entre as mulheres trabalhadoras e jovens, especialmente as negras.
Como se não bastasse toda violência, agressão e humilhação, as mulheres ainda têm de conviver com uma outra situação: a culpabilização da vítima. Quem nunca ouviu um: “se apanhou do marido, foi porque mereceu”, “mas com aquela roupa, tava pedindo pra ser estuprada”? Esses casos são muito comuns e funcionam como uma espécie de responsabilização da mulher pela violência que ela sofre, enquanto tira o foco do homem-agressor.
É preciso dar um basta a essa cultura machista de violência contra a mulher e todos os oprimidos, é preciso denunciar e lutar contra toda e qualquer forma de agressão por gênero. Não podemos mais nos calar perante essa triste realidade em que a mulher deve seguir os padrões de comportamento que a sociedade determina e que quando foge a isso torna-se culpada da violência que sofre.
Em nome disso, o Coletivo de Mulheres Rosas de Liberdade chama todas as mulheres e homens para a luta contra o machismo e toda forma de violência contra nós mulheres, em busca de uma sociedade de paz e respeito em que haja  igualdade de sexos e nenhum sintoma de violência.



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ato contra a Violência


O 25 de novembro é marcado como Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher e apesar dos avanços nas políticas de proteção à mulher, como a Lei Maria da Penha, os casos de violência ainda são muito frequentes.

Estima-se que uma em cada cinco brasileiras já tenha sofrido algum tipo de violência por parte de um homem. Estatísticas mostram que, a cada 15 segundos, uma mulher é espancada no Brasil, o que representa cerca de 2 milhões por ano. Essa violência atinge todas as mulheres, todas as etnias, mas é mais grave entre mulheres trabalhadoras e jovens, especialmente as negras.

Em Santarém esta realidade não é diferente e frequentemente nos deparamos com notícias de agressão, estupros e assassinatos de mulheres. Em virtude disso, o Coletivo de Mulheres Rosas de Liberdade! em parceria com outras entidades, fará um ato acompanhado de cerimônia religiosa em memória ao casal Jéssica e Mauro assassinados em Alter-do-Chão no dia 21 de outubro, bem como em memória de todas as mulheres vítimas da violência.
O ato será no dia 24 de novembro de 2012, as 16:00 horas, com concentração na praça de Alter-do-Chão.

Leve sua vela e sua indignação/reflexão, vamos junt@s em busca de um mundo de paz e respeito!

Realização: Coletivo de Mulheres Rosas de Liberdade!
Apoio: Juntas! A luta das mulheres muda o mundo, Diretoria de Combate as Opressões do DCE UFOPA, UES, SINTEPP, Rádio Rural, Associação das Mulheres Domésticas de Santarém.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Tráfico de mulheres e exploração sexual: Um problema social e econômico.



No dia internacional contra a exploração sexual e tráfico de mulheres e crianças, o que devemos discutir?  O modo como seres humanos se articulam para a manipulação de outros seres humanos? O modelo de sociedade que transforma pessoas em mercadoria? O modo como isso acontece diariamente, há muito tempo e que o combate a esse tipo de ação está longe de ser efetivo? O drama da mulher enganada e escravizada? Das famílias? A questão parece se aprofundar a cada análise.
Segundo as dados das Nações Unidas, o tráfico de seres humanos supera o “faturamento” do tráfico de drogas e do de armas, movimentando, aproximadamente, 32 bilhões de dólares por ano, sendo considerada a terceira maior fonte de renda ilegal do mundo. Esse nefasto quadro demonstra a situação de desrespeito aos Direitos Humanos, mas acima de tudo, de desigualdade social e revelam a face oculta de uma sociedade firmada em uma cultura machista e discriminatória que torna seres humanos objetos produtos do mercado.
As vítimas do tráfico têm perfil traçado, pois geralmente são mulheres, negras e pobres, com baixa escolaridade. A estrutura da ação é evidente: traficantes prometem emprego no exterior, geralmente de empregada doméstica, babá e até mesmo de modelo. O desfecho é óbvio: são forçadas a ter relações sexuais, viver na miséria e em locais inapropriados para o convívio humano. Tudo para fins de exploração, que inclui prostituição, exploração sexual, trabalhos escravo, tráfico de órgãos e outras práticas perversas. No entanto, embora tão detalhado, a estrutura desse crime não é sequer arranhada pelas medidas públicas de segurança, fazendo com que esses atos se perpetuem.
O tráfico e exploração de mulheres e crianças, não é um caso isolado das relações econômicas, de sexo, de raça e cultura, que configuram a sociedade como um todo. O fato de a maioria das vitimas pertencerem às classes mais baixas, sendo, portanto, evidencia disso. A idéia tradicional que possuímos de Direitos Humanos, não contemplam de forma específica os direitos das mulheres, pois historicamente sabemos que o espaço da mulher na maioria das vezes se dá no âmbito privado, e as noções tradicionais de direitos humanos tem a tendência a se preocupar mais com a esfera pública.
Frente a uma tragédia exposta (digna de ser lembrada em calendário), com raízes tão profundas, devemos denunciar essa situação criminosa e altamente violadora de direitos e exigir dos órgãos responsáveis pela promoção e efetivação dos Direitos Humanos a maior seriedade no combate a esse tipo de crime. Mas, além disso, denunciar essa estrutura social que coisífica seres humanos e explora inclusive sua dignidade.
Nesse sentido, o desafio que está posto a todos aqueles que pretendem combater essa realidade e a própria efetivação dos direitos humanos, ante a possibilidade de construção e consolidação de direitos é o de incorporar uma cultura de enfrentamento a essas questões, pensando de forma mais abrangente, a fim de questionar esse modelo perverso de sociedade em que vivemos.
Coletivo de Mulheres Rosas de Liberdade

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

14 de setembro: Dia Latinoamericano da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação

"Por definição, a propaganda consiste em uma forma sistemática de persuasão que visa influenciar com fins ideológicos, políticos ou comerciais, as emoções, atitudes, opiniões e ações de um público-alvo através da transmissão controlada de informação parcial”
A televisão é o principal meio de entretenimento e transmissão de valores que possuímos atualmente, é por
ela que podemos ver diariamente a construção de um estereótipo de mulher, cujo padrão tem de ser seguido, e quem foge a esse padrão é desprezada, discriminada e excluída. Não é incomum vermos comerciais de televisão fazendo alusão ao corpo da mulher, novelas impondo padrões de comportamento, moda e estilo de vida. A mulher negra, por exemplo, não tem muito espaço nas telenovelas, e quando tem, é sempre pobre, morando na favela, ou fazendo referência a escravidão, com mulheres negras sendo empregadas domésticas, quituteiras (vendedoras de comida ambulante), e quando não aparece encaixada nesses padrões, geralmente é feita apelação direta a sua sexualidade, sendo vista como a “mulata gostosa”, porém pobre e sem muita relevância.
Investida com esse poder, a propaganda serve à sociedade patriarcal como instrumento de controle sobre as mulheres, utilizando mídias para reforçar padrões machistas de comportamento, estereótipos do nosso papel social e a banalização da violência simbólica de gênero. Para ilustrar, podemos citar a postura publicitária, circunscrita na sociedade moderna de consumo, que insiste em situar o público feminino no espaço doméstico, além de formular e reformular modelos estéticos cuja imitação depende de uma gama de produtos, gerando pressão sobre o público feminino para o seu consumo, geralmente seduzido pela promessa de uma “valorização social”. Vale ressaltar a síntese do pensamento machista traduzido em sua representação dos nossos corpos, também reproduzidos pela propaganda: um vazio de desejos próprios e autonomia, passível de ser objeto associado a “outros” produtos, cuja única expectativa parece ser a admiração masculina.
Por isso, o movimento feminista repudia expressões machistas compartilhadas diariamente em vários canais de comunicação, e considera a reversão desse quadro um fator importante para a conquista da liberdade feminina. Nós defendemos o olhar crítico em relação aos meios de comunicação. A partir daí poderemos analisar que papel é dado às mulheres e onde elas se inserem, devemos desafiar os preconceitos, romper as barreiras do machismo e transmitir mensagens que reflitam o mundo como sendo igual para homens e para mulheres, sem inferiorizar o sexo oposto, mostrando visões diferentes, fazendo dos meios de comunicações um espaço acessível e socializador, sem preconceitos nem estereótipos machistas.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

As Mulheres não são Homens



O texto abaixo foi um dos temas propostos no concurso da UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará) realizado no dia 13.05.2012, nível superior, é uma excelente abordagem feita por Boaventura de Sousa Santos, confiram:

Boaventura de Sousa Santos
10 de Março 2011

As Mulheres não são Homens
No passado dia 8 de Março celebrou-se o Dia Internacional da
Mulher. Os dias ou anos internacionais não são, em  geral, celebrações.
São, pelo contrário, modos de assinalar que há pouco para celebrar e
muito para denunciar e transformar. Não há natureza humana assexuada;
há homens e mulheres. Falar de natureza humana sem falar na diferença
sexual é ocultar que a “metade” das mulheres vale menos que a dos
homens. Sob formas que variam consoante o tempo e o lugar, as
mulheres têm sido consideradas como seres cuja humanidade é
problemática (mais perigosa ou menos capaz) quando  comparada com a
dos homens. À dominação sexual que este preconceito gera chamamos
patriarcado e ao senso comum que o alimenta e reproduz, cultura
patriarcal. A persistência histórica desta cultura  é tão forte que mesmo
nas regiões do mundo em que ela foi oficialmente superada pela
consagração constitucional da igualdade sexual, as  práticas quotidianas
das instituições e das relações sociais continuam a reproduzir o
preconceito e a desigualdade. Ser feminista hoje significa reconhecer que
tal discriminação existe e é injusta e desejar activamente que ela seja
eliminada. Nas actuais condições históricas, falar  de natureza humana
como se ela fosse sexualmente indiferente, seja no plano filosófico seja no
plano político, é pactuar com o patriarcado.

A cultura patriarcal vem de longe e atravessa tanto a cultura
ocidental como as culturas africanas, indígenas e islâmicas. Para
Aristóteles, a mulher é um homem mutilado e para São Tomás de Aquino,
sendo o homem o elemento activo da procriação, o nascimento de uma
mulher é sinal da debilidade do procriador. Esta cultura, ancorada por
vezes em textos sagrados (Bíblia e Corão), tem estado sempre ao serviço
da economia política dominante que, nos tempos modernos, tem sido o
capitalismo e o colonialismo. Em Three Guineas (1938), em resposta a um
pedido de apoio financeiro para o esforço de guerra, Virginia Woolf
recusa, lembrando a secundarização das mulheres na  nação, e afirma
provocatoriamente: “Como mulher, não tenho país. Como mulher, não
quero ter país. Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”. Durante a
ditadura portuguesa, as  Novas Cartas Portuguesas publicadas em 1972
por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa,
denunciavam o patriarcado como parte da estrutura fascista que
sustentava a guerra colonial em África. "Angola é nossa" era o correlato de
"as mulheres são nossas (de nós, homens)" e no sexo delas se defendia a
honra deles. O livro foi imediatamente apreendido porque justamente
percebido como um libelo contra a guerra colonial e as autoras só não
foram julgadas porque entretanto ocorreu a Revolução dos Cravos em 25
de Abril de 1974.
A violência que a opressão sexual implica ocorre sob duas formas,
hardcore  e softcore.  A versão  hardcore é o catálogo da vergonha e do
horror do mundo. Em Portugal, morreram 43 mulheres em 2010, vítimas
de violência doméstica. Na Cidade Juarez (México) foram assassinadas nos
últimos anos 427 mulheres, todas jovens e pobres, trabalhadoras nas
fábricas do capitalismo selvagem, as maquiladoras, um crime organizado

hoje conhecido por femicídio. Em vários países de África, continua a
praticar-se a mutilação genital. Na Arábia Saudita, até há pouco, as
mulheres nem sequer tinham certificado de nascimento. No Irão, a vida de
uma mulher vale metade da do homem num acidente de  viação; em
tribunal, o testemunho de um homem vale tanto quanto o de duas
mulheres; a mulher pode ser apedrejada até à morte  em caso de
adultério, prática, aliás, proibida na maioria dos países de cultura islâmica.
A versão softcore é insidiosa e silenciosa e ocorre no seio das famílias,
instituições e comunidades, não porque as mulheres sejam inferiores mas,
pelo contrário, porque são consideradas superiores  no seu espírito de
abnegação e na sua disponibilidade para ajudar em tempos difíceis.
Porque é uma disposição natural não há sequer que lhes perguntar se
aceitam os encargos ou sob que condições. Em Portugal, por exemplo, os
cortes nas despesas sociais do Estado actualmente em curso vitimizam em
particular as mulheres. As mulheres são as principais provedoras do
cuidado a dependentes (crianças, velhos, doentes, pessoas com
deficiência). Se, com o encerramento dos hospitais  psiquiátricos, os
doentes mentais são devolvidos às famílias, o cuidado fica a cargo das
mulheres. A impossibilidade de conciliar o trabalho remunerado com o
trabalho doméstico faz com que Portugal tenha um dos valores mais
baixos de fecundidade do mundo. Cuidar dos vivos torna-se incompatível
com desejar mais vivos.
Mas a cultura patriarcal tem, em certos contextos,  uma outra
dimensão particularmente perversa: a de criar a ideia na opinião pública
que as mulheres são oprimidas e, como tal, vítimas indefesas e silenciosas.
Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de
resistência e a capacidade de inovação política das mulheres. É assim que se ignora
o papel fundamental das mulheres na revolução do Egipto ou na
luta contra a pilhagem da terra na Índia; a acção política das mulheres que
lideram os municípios em tantas pequenas cidades africanas e a sua luta
contra o machismo dos lideres partidários que bloqueiam o acesso das
mulheres ao poder político nacional; a luta incessante e cheia de riscos
pela punição dos criminosos levada a cabo pelas mães das jovens
assassinadas em Cidade Juarez; as conquistas das mulheres indígenas e
islâmicas na luta pela igualdade e pelo respeito da diferença,
transformando por dentro as culturas a que pertencem; as práticas
inovadoras de defesa da agricultura familiar e das sementes tradicionais
das mulheres do Quénia e de tantos outros países de África; a resposta
das mulheres palestinianas quando perguntadas por auto-convencidas
feministas europeias sobre o uso de contraceptivos: “na Palestina, ter
filhos é lutar contra a limpeza étnica que Israel impõe ao nosso povo”.



sábado, 28 de abril de 2012

STF decide: úteros não são caixões!


Por Heloise Rocha*
Na última quarta-feira, dia 11/04/2012, os ministros do Supremo Tribunal Federal começaram a julgar a ação que pede a descriminalização do aborto em casos de anencefalia, que é uma má-formação cerebral que ocorre no primeiro mês de gravidez, onde o feto tem ausência total ou parcial da massa encefálica, com isso o mesmo não tem chance alguma de conseguir sobreviver fora do útero da mãe por muito tempo, na maioria das vezes horas e até minutos. Em alguns casos o feto chega a perecer dentro do ventre da gestante e isso causa sérias complicações para a saúde da mulher.
Essa ação gerou enorme polêmica principalmente para entidades religiosas que são terminantemente contra o aborto em qualquer caso, até mesmo quando há risco de morte para mãe ou em caso de estupro (que eram até agora os únicos casos de interrupção de gravidez permitidos pelo Direito brasileiro). A Igreja se posiciona contrária ao aborto de fetos anencéfalos por se dizer a favor da vida, mas que vida? Se infelizmente os fetos que são acometidos por tal anomalia não têm chance nenhuma de sobrevivência!
Há que se pensar na mulher que espera esse feto, no sofrimento que é para ela ter que conviver com a realidade de que seu filho, que tanto ela desejou, já irá nascer com certidão de óbito. Como será para essa mulher ter que conviver com uma criança “morta” dentro dela por longos nove meses e ainda correr risco de não poder gerar mais nenhum filho ou até mesmo morrer na hora do parto? Isso é tortura psicológica e física para mulher.
Essa questão perpassa pelo direito da mulher decidir sobre seu próprio corpo, de opinar se quer ou não manter a gestação, ela não pode ser vista como mero hospedeiro para aquele feto que está gestando. Tem o direito de querer abreviar um sofrimento tão grande que é para ela abrigar em seu útero um feto morto.
Finalmente, nesta última quinta (12), depois de dois dias de intensos debates, com 8 votos favoráveis e 2 contrários, os ministros do STF tornaram legal o aborto de fetos anencéfalos. Decisão essa que tem um significado importantíssimo na reafirmação da laicidade do estado brasileiro. Deve-se lembrar que estamos discutindo sobre um princípio fundamental que se coloca em julgamentos como este que foi discutido, o princípio do direito de decisão, imprescindível em uma sociedade que se posiciona como democrática e que respeita os direitos do cidadão. A descriminalização do aborto em casos de anencefalia não obriga nenhuma mãe a interromper a gravidez caso não queira, mas garante o direito de decidir sobre seu próprio corpo. 
Diante desta relevante conquista para o movimento feminista, temos que pensar que muito já foi conquistado, mas ainda há muita luta pela frente. Essa decisão do STF mostra que a luta das mulheres pela conquista do direito pleno ao nosso corpo, em escolher se quer seguir uma gestação ou não, é direito e questão de saúde publica da mulher, pois milhares de mulheres fazem aborto na clandestinidade no Brasil e muitas morrem por realizá-lo sem as mínimas condições de higiene. Não se pode mais admitir que mulheres morram por falta de assistência medica de qualidade, por idealismos morais e religiosos dessa sociedade patriarcal e machista. O aborto tem que ser legal e seguro!
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Heloise Rocha é coordenadora geral do DCE-UFOPA, militante do coletivo de mulheres Rosas de Liberdade e do Juntos! Juventude em luta.